Ir direto para menu de acessibilidade.
Portal do Governo Brasileiro
Você está aqui: Página inicial -> Serviço de Comunicação Social -> Notícias -> Presidente Lula inaugura sistema adutor de Jucazinho a anuncia projetos para Nordeste
Início do conteúdo da página

Presidente Lula inaugura sistema adutor de Jucazinho a anuncia projetos para Nordeste

Publicado: Terça, 15 de Fevereiro de 2005, 15h25 | Modificado por: | Última atualização em Terça, 15 de Fevereiro de 2005, 15h25 | Acessos: 2068
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, sexta-feira,
dia 11, em Surubim (distante 120 km do Recife), ao inaugurar o sistema
adutor de Jucazinho, de 270,9 km de extensão, construído pelo
Ministério da Integração Nacional, através do DNOCS, levando água
para 800 mil pessoas de 14 municípios do agreste de Pernambuco, os
principais projetos do seu Governo para o Nordeste: a integração da
bacia do Rio São Francisco às bacias de rios do Nordeste setentrional
(Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará); a implantação de
usinas de biodiesel, a partir do óleo da mamona (vegetal que tem
produção adequada para o Semi-Árido), e a duplicação da Rodovia BR-
101, ligando pelo litoral, os Estados do Rio Grande do Norte até a
Bahia, para incentivar o turismo.
A solenidade de inauguração do sistema adutor de
Jucazinho (dividida nos ramais Norte – até Vertente do Lério e
Casinhas -, e Sul, até Caruaru, Bezerros e Gravatá), sendo alimentado
pelas águas do açude Jucazinho (com capacidade para acumular 370
milhões de metros cúbicos) contou com a participação do governador
em exercício de Pernambuco, o vice-governador Mendonça Filho, dos
ministros Ciro Gomes, da Integração Nacional, Humberto Costa, da
Saúde, Tarso Genro, da Educação, Eduardo Neto, da Ciência e
Tecnologia, do secretário especial do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social, Jaques Wagner, , do prefeito do Recife, João
Paulo, dos diretores do DNOCS, Eudoro Santana (diretor-geral), Leão
Montezuma Filho (Desenvolvimento Tecnológico e Produção) e César
Pinheiro (Infra-Estrutura Hídrica), e do coordenador estadual do DNOCS
em Pernambuco, Waldemar Borges Filho, além de prefeitos de 13
cidades da Região (Surubim, Limoeiro, Santa Maria de Cambucá, Frei
Marcelino, Casinhas, Gravata, Salgadinho, Bezerros, Riacho das Almas,
Passira, Vertente, Cumaru e Vertente do Lério), deputados federais,
deputados estaduais, vereadores, lideranças políticas e populares.
Cerca de 500 pessoas presenciaram o ato, entre os quais 80
servidores do da Coordenadoria Estadual do DNOCS, em Pernambuco,
vestidos com uma camisa azul.
O presidente Lula e sua comitiva chegaram à área do açude
Jucazinho (distante 14 km do centro de Surubim), por volta das
11h30min, em helicóptero da FAB, e dirigiram-se à estação de
tratamento da adutora, para descerrar a placa que marcou o ato
inaugural. Nessa oportunidade, Eudoro Santana entregou um boné
azul, com as inscrições do DNOCS, ao presidente Lula, que o usou
para fotos. Em seguida, o presidente e sua comitiva visitaram as
instalações da estação de tratamento, onde ouviram do diretor-geral do
DNOCS as informações sobre o seu sistema de funcionamento. Lula e
sua comitiva deslocaram-se para o palanque armado, ao lado da
estação de tratamento e bombeamento, onde populares e políticos os
aplaudiram.

ÁGUA TRATADA

Além do presidente Lula, falaram o governador em exercício
de Pernambuco, Mendonça Filho, o ministro Ciro Gomes, o prefeito de
Surubim, e o diretor-geral do DNOCS, Eudoro Santana. O ministro Ciro
Gomes lembrou que ao assumir a Pasta da Integração havia 217 obras
inacabadas. Por isso, recebeu uma recomendação do presidente para
iniciar novas obras após concluir as que estavam paralisadas. E o
sistema adutor de Jucazinho estava entre essas obras. Pelo volume de
recursos federais já investidos, não justificava que as obras não
fossem concluídas. Por isso, o presidente Lula só decidiu por sua
inauguração depois que a água, já tratada, estivesse chegando, com
qualidade, na casa dos moradores do Agreste de Pernambuco,
inclusive Caruaru, cuja população enfrentou o racionamento durante
quase 20 anos. Ciro Gomes garantiu que até junho entregará a quarta e
última etapa da adutora, que vai beneficiar mais de 100 mil pessoas
das cidades de Gravatá e Bezerros, com investimento de mais R$ 10
milhões, para aplausos da platéia, que o ovacionou inúmeras vezes.
Nas três primeiras etapas da adutora os investimentos somaram R$
160 milhões.
Sobre o projeto de interligação da bacia do São Francisco, o
Ministro da Integração Nacional disse acreditar na generosidade da
população dos Estados doadores – Minas Gerais, Bahia, Sergipe e
Alagoas – que “não será capaz de negar água a quem está precisando”.
Ele disse que no Governo Lula a população do País está diante de um
Brasil diferente, que definiu uma linha de ação política para o Nordeste,
no sentido de dotar a Região de infra-estrutura para alcançar o seu
desenvolvimento.

NOVO TEMPO

O diretor-geral do DNOCS foi o primeiro a se pronunciar. Ele
disse que aquele evento representa “um novo tempo em que as obras
públicas são concluídas e os investimentos do Governo Federal se
direcionam para as populações mais carentes”. Segundo Santana, o
sistema foi iniciado em 1994, com a construção da barragem, com a
adutora inacabada, como tantas outras obras. Com a determinação do
Governo, a obra foi retomada em 2003 e hoje entregue à população.
- Esta, senhor Presidente, é uma obra-símbolo para o velho
DNOCS que conjuga os esforços de sua reconstrução como instituição
republicana e se assume como protagonista de uma nova fase da sua
história: a fase da gestão. Quando se fala em recursos hídricos, gestão
significa trabalhar com a dinâmica que envolve descentralização,
parceria, transversalidade e participação. Uma obra hídrica não se
completa em si mesma. A sua completude só se expressa quando
suas águas são levadas às casas, às escolas, aos hospitais ou aos
campos onde trabalhadores cultivam as suas lavouras a produzir
alimentos e ainda propicia a produção de peixes. Sabemos que o
sistema hidrológico do semi-árido resulta na necessidade de sistemas
de acumulação. É também bastante óbvio que águas estocadas, por si
só, não geram todos os benefícios que delas se espera. Afinal águas
paradas não movem moinhos – disse Santana, sob aplausos.
Eudoro Santana emociou o presidente ao citar um verso do
poeta pernambucano, de Surubim, João Cabral de Melo Neto: “Vejo o
Capibaribe, como os rios lá de cima, é tão pobre que nem sempre pode
cumprir a sua sina e no verão também corta, com pernas que não
caminham”, ao afirmar que a missão assumida pelo DNOCS, “de
acordo com a orientação de Vossa Excelência e do ministro Ciro
Gomes de fazer a água andar, é, também, contribuir para que o rio
possa cumprir a sua sina. Que não corte no verão e que suas pernas
possam caminhar”.
Ele agradeceu a colaboração, o empenho e o compromisso
do coordenador da CEST Pernambuco, Waldemar Borges e de sua
equipe, do Governo de Pernambuco, pela parceria na construção da
obra, e a colaboração da Companhia de Saneamento de Pernambuco –
Compesa, a cuja empresa o Governo Federal entregou a operação do
sistema. O diretor-geral do DNOCS citou ainda o projeto de interligação
da bacia do Rio São Francisco com bacias de rios do Nordeste
setentrional, ao expressar a certeza de que a “generosidade triunfará,
evitando que o acesso a um pouco das suas águas aos nossos irmãos
seja negado”. Ele acredita que a generosidade do povo nordestino, que
ajudou a construir São Paulo, Brasília, a extrair borracha da Amazônia,
será aplicada em favor do próprio nordestino, com a concretização do
projeto de integração do São Francisco. Segundo Santana, diversas
adutoras, como a de Jucazinho, já projetadas e algumas concluídas,
dependem da garantia da água que o Rio São Francisco pode oferecer.

TORNEIRO MECÂNICO

Santana encerrou seu pronunciamento citando o
pernambucano Gilberto Freire, para nova emoção do presidente Lula:
“Eu ouço as vozes, eu vejo as cores, eu sinto os passos de outro Brasil
que vem aí, mais tropical, mais fraternal, mais brasileiro (...) Qualquer
brasileiro poderia governar este País: lenhador, lavrador, pescador,
vaqueiro, marinheiro, funileiro, carpinteiro - e eu acrescentaria torneiro
mecânico – (a antiga profissão do presidente Lula), contanto que seja
digno do governo do Brasil, que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil, coragem de morrer pelo Brasil, ânimo
para viver pelo Brasil, mãos para agir pelo Brasil (...), mãos brasileiras,
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas, tropicais, sindicais, fraternais”.
Santana recebeu um afetuoso abraço do presidente Lula, ao concluir
seu discurso.
O prefeito de Surubim, Flávio Nóbrega, aproveitou a
oportunidade para reivindicar do ministro Ciro Gomes a construção de
estrada pavimentada (a que existe atualmente é uma via secundária, de
barro), de 14 km de extensão, entre o centro de Surubim e a barragem
de Jucazinho, no sentido de incentivar o turismo; solicitou a criação de
projetos de piscicultura e pesca, e projeto de irrigação, para aproveitar a
água do açude. O governador em exercício Mendonça Filho (o
governador Jarbas Vasconcelos estava ausente por se encontrar
viajando para o exterior) destacou a parceria com o Governo Federal e
lembrou a decisão política do governador Jarbas Vasconcelos de
investir no sistema de abastecimento das cidades por onde a adutora
chegou, para melhorar a qualidade de vida da população do agreste
pernambucano.
O presidente Lula disse que estava feliz por estar
presenciando chuva na região do agreste. Segundo ele, sua felicidade
foi motivada também pelas notícias dos jornais sobre o crescimento da
produção industrial do País, indicando o acerto do seu Governo na
condução da política econômica Segundo o presidente, as manchetes
dos jornais afirmaram que “Indústria cresce mais do que nos últimos
18 anos”. Ou seja, a indústria brasileira cresceu em 2004, só cresceu,
antes, em 1986, numa demonstração que nós encontramos o caminho.
Lula disse que “daqui para a frente, gente, não tem choro e nem vela. A
economia, este ano, vai ser muito melhor, nós vamos crescer mais, não
existe lugar para o pessimismo. Ao invés de a gente se levantar de
manhã e ficar dizendo: Puxa vida, eu vi na televisão, as coisas vão dar
errado, e tal, ao invés de ficar choramingando, levante a cabeça e fale: o
que que eu posso fazer pelo meu país hoje? O que eu posso fazer pela
minha cidade?. E levantar a cabeça para as coisas darem certo neste
país”.
Lula destacou o trabalho do ministro da Integração Nacional
e as razõpes que o levaram a escolhê-lo para dirigir a Pasta:
“Por que o Ciro Gomes na Integração? Porque, embora seja um
paulista de Pindamonhangaba, tem toda a sua experiência política no
estado do Ceará, em Sobral. Depois, tem a sua experiência
administrativa, como prefeito, como deputado e como governador e,
depois, conhece o Nordeste. E como eu tinha na cabeça algumas
grandes obras para o Nordeste, eu precisava ter alguém que
conhecesse o Nordeste como ministro da Integração. Mas, sobretudo,
não alguém do Nordeste, alguém que tivesse competência, fosse
desaforado para enfrentar as contrariedades e, sobretudo, desaforado
para moralizar a máquina administrativa de um Ministério que, segundo
a imprensa, era utilizado apenas para distribuir emendas no
Orçamento. Então, este é o meu companheiro Ciro Gomes”.
Mais adiante, o Presidente afirmou: “E o Ciro Gomes
trabalha com a seguinte convicção: no Nordeste brasileiro não tem
medidas paliativas. Ou nós assumimos a responsabilidade de
transformar o Nordeste brasileiro daqui a 15, 20 ou 30 anos numa
região altamente desenvolvida, ou daqui a 30 anos a gente vai estar
jogando a culpa na indústria da seca, a gente vai estar jogando a culpa
no estado de São Paulo, a gente vai estar jogando a culpa num monte
de coisas: por que o Nordeste continua pobre? O Nordeste continua
pobre porque o Nordeste nunca foi tratado como uma região prioritária
para o desenvolvimento, sempre ficou por conta dos coronéis da política
local.
Segundo ainda o Presidente, “nunca houve um projeto deste
do governo federal, e por isso nós assumimos essa responsabilidade
de dizer, aqui, a vocês: nós estamos saindo daqui e indo para Caruaru.
Vamos inaugurar a adutora. Aqui, já descerramos a placa e daqui
vamos para Caruaru. Lá, nós vamos inaugurar uma grande obra de
tratamento odontológico, um grande centro de saúde bucal para,
inclusive, tratar o câncer na boca das pessoas. Você sabe que dente
não era olhado como doença, porque só quem tem dor de dente é
pobre, rico não tem. Rico tem dentista do dia em que nasce ao dia em
que morre. Quando nasce, para não deixar ficar torto; quando morre,
para tirar os ouros da boca. E nós nascemos sem dentes e morremos
sem dentes”.
Sobre a decisão de executar o projeto de integração da
bacia do São Francisco, o presidente da República foi categórico: “Eu
sei da importância disso, pelo menos para atender à necessidade de
beber água de pelo menos 10 milhões de irmãos nordestinos. E nós
não temos direito de ver uma parte da água do rio São Francisco ser
despejada no oceano, se misturar com a água salgada, sem que a
gente possa tirar um tiquinho dela, uma cuia d’água, para poder levar
para 10 milhões de famílias beberem. Portanto, nós vamos fazer. E
essa é uma obra que eu tenho o prazer de ir, junto com o Ciro Gomes,
dar o pontapé inicial. E eu espero que a gente vença todas as barreiras
que temos pela frente, e não é barreira do Ibama, não, é barreira de
alguns governadores, é barreira muitas vezes do poder Judiciário; não é
barreira do Ibama não, porque o Ciro tem trabalhado muito junto com o
Ministério do Meio Ambiente”.
Por isso, Lula afirmou que “o projeto da água é uma coisa
maravilhosa que eu sonho que poderá dar maior sustança ao povo do
Nordeste, porque, embora as pessoas não saibam, eu sei o que é ir
pegar água num açude, num pote, e deixar a água assentar, porque a
gente não tinha cultura nem para ferver nem para coar. A gente tomava
daquela água e depois as canelinhas ficavam dessa grossura, o
barrigão dessa grossura, a gente pensava que era saúde. E não era
saúde e não foram poucas as vezes em que eu, com sete anos de
idade, tinha que ir com a minha irmã buscar pote d’água. Então, eu sei
o que é a gente andar 12 léguas, 16 léguas para trazer um pote d’água
na cabeça. E, às vezes, não sabe se é água, se são fezes de animais,
se é caramujo, se é urina, e é daquela água que tem que beber.
Então, quem está no “bem bom”, não sabe o sacrifício.
Quem está no “bem-bom”, não sabe o que é isso. Como nós não
temos dinheiro para comprar água “Perrier”, para beber, água boa,
então nós bebemos. Queremos tratar a água do rio Capiberibe, torná-la
saudável para que as nossas crianças possam beber, ficar
barrigudinhos, mas de saúde, não de verminose como a gente era
antigamente”.
Fim do conteúdo da página