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Homenagem da DP

Publicado por: Ubirajara Leal Pinto Bandeira Júnior | Publicado: Quarta, 09 de Outubro de 2019, 18h49 | Modificado por: Ubirajara Leal Pinto Bandeira Júnior | Última atualização em Quinta, 10 de Outubro de 2019, 08h59 | Acessos: 1043

josé augusto trindade foto

PIONEIRISMO EMPREENDEDOR

JOSÉ AUGUSTO TRINDADE, nasceu na Cidade de Oliveira-MG, em 13 de agosto de 1896. Formado na Escola de Agronomia de Pinheiros, trabalhou no Nordeste, onde se casara com Maria Noêmia Bezerra Trindade, da Paraíba. E nunca esqueceu a Região, que o empolgava.

Em 1920, foi nomeado diretor do Patronato Vidal de Negreiros em Bananeiras - PB. Construiu as obras e implantou uma organização de ensino modelar, na condição de seu primeiro diretor. Foi no desempenho desta função que o Dr. José Américo de Almeida, Secretário de Estado do Governo da Paraíba, descobriu a sua capacidade de trabalho.

Convencido Trindade que “a criação é e será por tempo indeterminado a indústria principal do homem nos sertões do Nordeste”, decidiu iniciar as atividades da Comissão de Reflorestamento, como era conhecida, pela instalação de campos de palma. Em dez meses estavam instalados 111 campos de palma de 5,0 ha em colaboração com proprietários e havia cinco milhões de mudas em condições de distribuição, do Piauí à Bahia. E ao mesmo tempo, junto a alguns açudes eram instalados “viveiros” para que fossem estudadas e multiplicadas espécies nativas, forrageiras arbóreas e árvores frutíferas. No curto período de 10 meses existia seiscentas mil mudas em viveiros e esses resultados entusiasmavam o Chefe da Comissão: “Merece realce a improvisação desses trabalhos. Nenhuma preparação prévia, instalações, aquisição de terra ou materiais. Os agrônomos foram lançados em pleno sertão no termo de uma das mais violentas secas que já assolaram o Nordeste... Era preciso adquirir o tino da ação a desenvolver num meio de condições tão singulares. Uma consulta à Natureza e também uma adaptação física e psicológica de muitos técnicos do Sul, cuja experiência profissional queria empregar no novo serviço do Nordeste. E o resultado correspondeu à antevisão...”.

A partir de 1934 alguns “viveiros” evoluíram para Postos Agrícolas com funções mais amplas. A Comissão de Reflorestamento, cujo chefe se entendia diretamente com o Ministro, foi incorporada ao DNOCS, com o nome de Comissão de Serviços Complementares - C.S.C. da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS. Este fato trouxe maior entrosamento com os Distritos e Residências da IFOCS e evitou as investidas do Ministério da Agricultura que visavam à encampação de todo o setor agrícola da IFOCS.

Os Postos constituíam os centros de trabalho permanentes, onde se fazia ensaios e demonstração sobre silvicultura, irrigação, lavoura seca. Um serviço local e um serviço de expansão, “para adquirir ensinamentos e transportá-los para os açudes públicos e fazendas da área seca, na maioria irradiação possível de atividade”.

Em poucos anos a Seção Técnica da C.S.C. já havia relacionado 115 espécies de plantas florestais com ensaios de adaptação e culturas. No Posto de São Gonçalo-PB, chegou a haver cerca de 70 variedades de plantas cítricas em observação.

Os Postos Agrícolas trouxeram grandes benefícios ao sertão. Como seja a presença de reprodutores bovinos e eqüinos de raças puras, melhorando o gado das fazendas. A distribuição de mudas frutíferas e florestais, produzidas em profusão. A produção de sementes. A introdução de plantas úteis. A produção de hortaliças e sua venda nas feiras, após a criação do hábito de usá-las na alimentação, costume esse quase inexistente até então.

O Posto Agrícola de São Gonçalo, sem dúvida o mais aparelhado da Comissão, foi inaugurado em 05 de novembro de 1934, quando se verificou a primeira exposição agropecuária realizada no alto sertão.

Em 1935 já havia atividades técnicas, como produção de mudas cítricas enxertadas e distribuição de plantas florestais e frutíferas. A produção de hortaliças de alta classe teve início e se importavam sementes de tomates das melhores variedades norte-americanas. Inaugurou-se o estudo pedológico da área, a cargo do Agrônomo José Ferreira de Castro e a elaboração do mapa agrológico.

Trindade logo sentiu que a agricultura das áreas secas apresentava condições muito especiais e um número incontável de questões que só através da pesquisa organizada poderiam ser resolvidas.

Segundo Lauro Xavier, amigo íntimo de Trindade, foi durante a inauguração do Posto Agrícola de São Gonçalo, que ele teve a idéia de construir o Instituto Experimental da Região Seca. Chegou mesmo a pensar nos Departamentos que comporiam o Órgão. Entre eles estariam o de Irrigação e o de Ecologia e Botânica, o que prova a grande visão de Trindade, pois na época, a Ecologia era tema pouco conhecido que não preocupava a humanidade, como hoje.

O Instituto seria em São Gonçalo, pois, ali estava o centro geográfico da área de atuação de seu Serviço, além de estarem reunidas todas as condições desejáveis para se instalar e desenvolver o empreendimento.

E o Instituto passou a ser o seu sonho de todas as horas.

Em 1939, em São Gonçalo, já se começava a respirar um clima de Instituto e alguns trabalhos experimentais já eram executados. São dessa fase os ensaios sobre irrigação de algodão, enxertia de oiticica e competição de variedades de tomateiros, trabalhos estes publicados pelo Boletim Técnico da IFOCS.

Um fato novo efetivou a mudança do Posto Agrícola para Instituto Experimental. A 1º de outubro de 1940, o inspetor de secas comunica que o Presidente Vargas visitará brevemente São Gonçalo e pernoitará em Curema. A visita teve lugar a 16 de outubro daquele ano. O Presidente, acompanhado do Interventor Rui Carneiro e do Engenheiro Luiz Vieira, e também de Benjamim Vargas, João Alberto, Rafael Fernandes, entre outros, visitou os Laboratórios, percorreu os campos, comeu banana e uva colhidas no cacho. E então passou a existir o Instituto Experimental da Região Seca.

Já atacado pelo mal que o destruiria – carcinoma prostático – Trindade não mais pôde se dedicar ao seu Instituto. Apenas chegou a visitá-lo, já em funcionamento, externando seu entusiasmo incontido.

A morte de Trindade deu-se a 09 de março de 1941, no Hospital Português, em Recife e o seu sepultamento foi realizado em João Pessoa, na Paraíba.

 

Fonte: GUERRA, Paulo de Brito. O Instituto Agronômico José Augusto Trindade. Fortaleza, DNOCS – Divisão de Documentação, 1984. 53p.

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